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|||"Há vinte e cinco anos, ao entardecer
de 9 de julho, São Paulo fez soar, a todos os
quadrantes do pais, o brado de revolta, a fim de se
restaurar o regime da Lei e da Justiça de que fora
esbulhada a República pelo governo discricionário
imposto com a intentona outubrista. Mato Grosso
acudiu ao chamado da jornada redentora, dias depois,
e conosco seguiu até ao desfecho final. A luta foi
eliminar o arbítrio instalado no Catete, cujos
poderes ficaram em mãos do caudilho vitorioso. Nunca
existiu, desde as articulações iniciais, na
revolução do planalto, idéia de separatismo,
consoante fizeram sentir os exploradores de boatos a
serviço da ditadura. Era arrancada de idealismo
libertador, visando romper os grilhões que
imobilizavam as reações da nacionalidade sotoposta a
humilhações e a detrimentos, tudo por forma a mais
aviltante. São Paulo se sublevou, porque teve de
rasgar as próprias carnes nas pedras do Calvário,
por onde o arrastarem, e teve,ainda, de tragar às
últimas gotas o cálice da amargura. |
|||A história é de ontem mesmo, conhecida
de sobejo, somente adulterada ou negada por
espíritos apaixonados e inconscientes, enxergando,
na epopéia dos noventa dias, além do separatismo, o
pronunciamento de reacionários e plutocratas em
busca de predomínio na Federação. Tão sinuoso
sofisma tem andado em voga por livros recentes,
escritos por nomes de responsabilidade; porém,
deturpação do sentido de pura brasilidade contido na
campanha de glórias, de que participavam civis e
soldados das diversas regiões da Pátria comum. Entre
os mortos que, nesta data, vão ao repouso no
cenotáfio de Ibirapuera, sob as homenagens da gente
bandeirante, há filhos do norte e do sul,
simbolizando a união dos brasileiros livres,
dispostos à renúncia da vida no campo da honra, para
que a Bandeira Auriverde cobrisse uma nação
integrada nas suas tradições de democracia e não
vilipendiada pela tirania da prepotência advinda das
fronteiras." A Gazeta – 9 de julho de 1957 –
Edição Comemorativa Retrospectiva da Epopéia de 32 .
Editorial . |
|||Hoje, passados 74 anos desse
movimento, vemos a data sendo esquecida, pouco
comemorada; os nossos heróis já quase não existem,
pois os que vivem, seguramente têm mais de 90 anos.
|||Pensando em
escrever sobre a participação de itapetininganos no
movimento, posicionei-me para conversar com
ex-combatentes. Fui procurar a família do
último Presidente da
Sociedade Veteranos de 32 – MMDC, de
Itapetininga, o meu amigo
Péricles Leonel Ferreira, Péco Leonel,
companheiro de lutas do meu pai,
Antenor de Oliveira Mello Júnior; conversei
com o seu filho, também apelidado de
Péco, que me informou que após o falecimento
do seu pai, seus guardados foram doados, não sabendo
para quem, inclusive um livro onde consta o nome dos
ex-combatentes de Itapetininga. Falei com sua
sobrinha, Isaura, com sua irmã, Celina, recebendo
delas as mesmas informações sobre o destino de
documentos, diplomas e medalhas. Telefonei para os
Coronéis da PM Mendes e
Ventura, meus
amigos da
Sociedade Veteranos de 32-MMDC
de São Paulo, pedindo informações de onde poderia
receber a lista de ex-combatentes de Itapetininga,
que haviam recebido Medalha do Governo do Estado de
São Paulo, sendo informado que poderia pesquisar na
Assembléia Legislativa de São
Paulo, de onde havia partido a Lei
que concedeu a honraria. Tentei e nada consegui.
Fica para o futuro, onde espero poder recolher
subsídios que permitam levantar essas informações.
|||Todo mundo
sabe, mais ou menos, que o rastilho do movimento
constitucionalista de 32 foi o caso da reforma
administrativa do general
Bertholdo Klinger.
Mas, o que muitos ignoram são certas
particularidades desse episódio básico da campanha
pela redenção do Brasil.
|||Feito o
acordo entre as " frentes únicas" de São Paulo e Rio
Grande do Sul e o Comando da Região Militar do Mato
Grosso, ficou estabelecido, desde logo, que se
prestigiaria, contra a ditadura, em qualquer
hipótese, os generais
Andrade Neves e Klinger e o
secretariado de São Paulo. Esperava-se, contava-se
mesmo como certo, que o ditador acedendo às
sugestões de sua equipe, não se demoveria do
propósito de hostilizar aquelas altas patentes, mal
vistas pelo outubrismo, e também o novo governo
paulista, levado ao poder nos braços de uma
verdadeira insurreição popular, de danosas
conseqüências para o prestigio moral da ditadura. |
|||Os pontos
nevrálgicos da questão suscitada entre o Catete
onipotente e os dois grandes estados sulinos eram as
demissões, mais de uma vez anunciadas, daqueles dois
generais e a derrubada dos novos auxiliares do
interventor
Pedro de Toledo.
|||Esses pontos
foram considerados questão de honra para os
signatários do acordo entre o Comando Militar de
Mato Grosso e as referidas" frentes únicas" .
|||Aconteceu,porém,
que o governo provisório não teve forças para levar
adiante o caso do general Andrade Neves, nem para
destituir, por um golpe de força bruta, o
secretariado paulista. Getúlio Vargas recuava
em toda a linha.
|||Havia a
necessidade de atraí-lo a um rompimento claro. O
general
Klinger dispos-se, então, ao sacrifício.
Tendo consultado as" frentes únicas", com cujos
chefes se entendera, e tendo recebido, deles, a
confirmação plena e absoluta do que fora
anteriormente combinado, o general
Klinger dirigiu ao general
Augusto Inácio do Espírito
Santo Cardoso, Ministro da Guerra, a
sua famosa carta, amplamente divulgada.
|||Os
outubristas caíram no laço como patinhos.....
Furibundos, exigiram do" chefe" do" governo"
provisório a reforma administrativa do comandante da
Circunscrição de Mato Grosso . O general
Klinger foi reformado pelo Catete.
|||Conseguiu-se,
dessa forma, trazer para o campo da luta o célebre
despistador
Getúlio Vargas,
cuja fraqueza ia protelando indefinidamente a
oportunidade do combate decisivo entre a nação, que
se quer libertar, e o Catete, que a quer oprimir.
|||São Paulo
sofreu as duras cutiladas da invasão ditatorial que
talou nosso Estado, afrontou nossos lares,
arrebatou-nos quase tudo que havíamos construído
para o bem do Brasil. Acentuaram-se as ofensas, o
tripúdio dos possessos nos jogou aos infernos de
verdadeira escravização.
|||Nutríamos a
crença de que a conjura discricionária tombaria sem
demora. Enganamo-nos. Seu poder crescia, e a São
Paulo, vinham ecoar gritos e súplicas de rebelados.
Então, São Paulo preparou-se, ostentou a couraça e
sustentou a lança de cavaleiro do ideal de redenção.
Partindo do largo de São Francisco, da juventude da
velha Academia de Direito, o toque de reunir e da
batalha, paulistas e mais brasileiros vestiram a
farda do voluntário constitucionalista.
|||Á frente dos
combatentes e do esforço realizador da retaguarda
como nunca sucedeu no Brasil, encontrava-se a figura
do embaixador
Pedro de Toledo, expressão da tenacidade dos
líderes e dos lutadores revolucionários. Governador
empossado, por vontade do povo, das tropas do
Exército e da Força Pública, manteve-se com firmeza
única na direção do Estado e do Movimento de que era
o chefe supremo.
|||Não houve
primazias nas demonstrações de lealdade aos
objetivos da luta, nas cidades do território
bandeirante. O Estado transformou-se em uma caserna
generalizada e a resposta era uma e única, a
clarinada convocadora:" Presente!" Sim. Presente, o
paulista de todas as procedências. Presente na
entestada com os exércitos da ditadura. Presente até
os derradeiros momentos. Que maiores coisas se
fariam por este Brasil, do que essa de oferecer, na
ara do sacrifício, a própria vida?
|||Grandes
coisas se fizeram. O campo e a cidade, as lavouras e
as fábricas se irmanaram na mesma orientação de
luta. Homens e mulheres, moços e velhos
confraternizaram-se nos vários setores da
mobilização. Todos se organizavam e contribuíram com
o esforço da luta: a estrada de ferro com seus trens
blindados e na movimentação das tropas; a Cruz
Vermelha com os cursos de enfermaria, nos serviços
de socorros, dos hospitais de sangue, do corpo
médico e da engenharia, nas atribuições que lhes
competiam. Na frente interna, a extraordinária
cooperação da Associação Comercial, da Federação das
Indústrias, da Escola Politécnica, dos
estabelecimentos de ensino, da Liga das Senhoras
Católicas, das entidades de classes, dos clubes
esportivos, enfim,de quanto representava o poderio e
as reservas de São Paulo. Veio a Campanha do Ouro
para a Vitória que coroou a espontânea colaboração
do povo que doou alianças, jóias, tudo
destinado a fundir o lastro da resistência
econômica. A ação do
M.M.D.C. — iniciais recordando os mártires de 23 de maio —
correspondeu às exigências e aos imperativos da
peleja. O MMDC nasceu das coligações dos partidos
políticos — Republicano Paulista e Democrático, —
arregimentando voluntários e atendendo tanto às
requisições das forças em operações como à
assistência das famílias dos lutadores.
|||A história da
revolução de 32 já ninguém a falseia. A verdade não
se empana. O caudilho da outubrada de 30 liquidou o
ideal revolucionário da Aliança Liberal e asfixiou a
democracia brasileira. Senhor absoluto no ápice do
governo discricionário, viu que, para estabelecer a
ditadura definitiva, precisava aniquilar a
resistência política de São Paulo. Iludindo os que o
haviam apoiado aqui, submeteu nosso Estado a toda
sorte de opressões, começando por nomear interventor
incapaz para a investidura. Foi tremenda e
envilecedora a séria de desmandos que, atingindo ao
máximo com a entrega de postos elevados a estranhos
e a desconhecidos, ocasionou repulsa geral,exigindo
interventor civil e paulista.
|||Mesmo após o
restabelecimento do regime constitucional em 1934,
resultando do Movimento de 1932, o caudilho
dominante veio lançar a cizânia no planalto,
atirando as classes sociais umas contra as outras,
trabalhadores contra patrões, astutamente semeando
rivalidades e dissídios, nos quais entraria como
aproveitador. O estado novo, era sombria que macula
a civilização brasileira, provou à sociedade os
intuitos anti-paulistas do beneficiário de outubro
de 1930. Padecemos ultrajes e exclusões, dentro da
nossa casa. O ano de 1931 assinala o terror e a
perseguição sem tréguas. Asseclas do usurpador
conspiravam contra nós, em pleno coração de São
Paulo. Com 1932, raiou a esperança. De janeiro a
julho, aconteceu tudo que deveria acontecer, para o
ataque à tirania.
|||Noventa dias
de batalha. O fogo, por terra e pelo ar, cruzou as
linhas que se defrontavam. Quanta bravura! Quanto
heroísmo! São Paulo, na frente de guerra e na
retaguarda, comprovou a inquebrantabilidade da
decisão, por um Brasil que não o compreendeu. Mas o
ideal não soçobrou, quando o derradeiro toque de
corneta ordenou a cessação do fogo. O ideal não
morre. Vive, latente, nos próprios túmulos dos que
por isso tombaram. Olhai, contemplai o Monumento
Mausoléu. Ali, dormem os que foram morrer por São
Paulo e pelo Brasil, nas trincheiras de 32. E ali
esplende a fulguração do ideal que nos levou, ao som
festivo de marchas militares e das fanfarras de
guerra, ao reencontro com a cidadela da ditadura,
onde jazia no cativeiro, a República democrática.
|||Esse ideal
cresceu, deitou raízes, frutificou, alimentado pelo
sangue dos ínclitos batedores e vanguardeiros
da arrancada constitucionalista. Em vão, de 1937 a
1945, o ditador ensaiou o continuismo invencível .
Seu destino fora selado, ao explodir da revolução de
9 de julho e à insubmissão dos brasileiros livres.
Um dia, a resistência ditatorial cedeu e veio a 29
de outubro. Respirava em desabafo, o Brasil cortado
pelo caudilhismo despótico. Mas era, sobretudo, o
triunfo certo de nossa jornada. Daí por diante, as
tentativas do ex-ditador falhariam. A República
retorna à origem democrática dos fautores da
Proclamação de 1889, como nos desígnios de quantos
se irmanaram na defesa daquele ideal que está no
coração de todos nós.
|||"De São
Paulo partiu o brado da Independência ; de São Paulo
também parte, agora, o brado pela Constituição".
Manchete do Jornal" A Gazeta" de Segunda-feira, 11
de julho de 1932.
|||Na
reportagem, diversas fotos mostrando a aglomeração
popular em todos os pontos da cidade:"
O povo, no largo do Palácio, prestigiado pelas
forças do Exército e da Força Pública, aclama o Dr.
Pedro de Toledo, governador do Estado de São Paulo ;
no largo de São Francisco, acadêmicos de Direito, de
fuzil na mão, falam aos paulistas ; acadêmicos
guardam a porta da nossa tradicional Faculdade de
Direito ; os voluntários paulista, no pátio da
Faculdade, esperam ordens ; O Dr. Pedro de Toledo da
sacada do Palácio do Governo agradece as aclamações.
O Cel.
Euclydes de Figueiredo
chama os presente à luta." O movimento que
explodiu em São Paulo e que vai se alastrando por
todo o território nacional, com incrível rapidez,
não é um movimento partidário, faccioso, restrito às
exigências dogmáticas de determinado programa
sectarista, mas um movimento amplo de opinião pela
reconquista das nossas mais elementares liberdades,
usurpadas há vinte meses por um bando de
aventureiros sem consciência, sem escrúpulos e sem
entranhas, tão ineptos quanto truculentos, tão
incapazes quanto ambiciosos, tão pobres de
inteligência e de cultura quanto desalmados.
|||Manchete de
12 de julho de 1932, terça-feira da Gazeta nos dá
conta de que São Paulo acolheu, em meio de uma
verdadeira apoteose o general
Klinger. "Enorme número de populares que
acudiam á estação da Luz para aclamar o bravo chefe
do admirável movimento constitucionalista. Vibrava a
multidão de extraordinário entusiasmo cívico. Às
8,30 horas, chegavam juntos á Luz o general
Isidoro Dias Lopes
e o coronel
Júlio Marcondes Salgado,
comandante da Força Pública. Em seguida chega o
coronel Euclydes Figueiredo, comandante da 2º.
Região Militar e um dos chefes do movimento. Ás 8,55
horas, chega o comboio especial no qual viajava o
general Klinger, dando entrada na gare sob grande
ovação popular. Desceu o general Klinger para os
braços do povo. Grande festa, grande acolhida .
Muitas presenças de líderes do movimento : Dr.
Thyrso Martins, coronel Kingelhoefer, Dr. Ibrahim
Nobre, Drs. Costa Neto e Augusto Gonzaga."
|||O Dr.
Ibrahim Nobre saudando o general
Klinger empolgou a todos. A terra dos
Bandeirantes, do Brasil, o Exército de Lima e Silva,
Floriano e Osório, que o general
Klinger encarna neste momento, consagrou-se o
povo de São Paulo pela voz vibrante do promotor que,
a 23 de maio, acusou a revolução que nos deu a
ditadura. Frases quentes, os períodos candentes,
cheios de fogo e de fé, de Ibrahim Nobre, eram
cortados por vibrantes aplausos do emocionado povo
paulista." Estava reunido o Comando Geral da
Revolução Constitucionalista de 1932.
|||No dia
seguinte os chefes militares embarcam para o"
front". O coronel
Euclydes de Figueiredo para Cruzeiro, onde
assumiu o comando da vanguarda das tropas
contitucionalistas. Os oficiais do Estado Maior o
acompanham: coronel
Palimércio de Resende, capitão Velloso,
tenente
Menezes e outros. |
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Coronel Palimércio de Resende |
Fonte. Sociedade dos Veteranos de 32/MMDC |
||| |
|||Em 22 de julho de 1932, sexta-feira, a população paulista,
ajoelhada e contrita,prestou imponente e comovedora
homenagem ao patriota Fernão Salles, que
encarnou,no campo de batalha, o valor nunca
desmentido do soldado bandeirante. Ele, à frente de
um pugilo de jovens intemerados, que se encaminhavam
para a frente conscientes de seu dever cívico de
salvar a honra de São Paulo e a liberdade do Brasil,
estoicamente, abnegadamente, derramou seu sangue em
prol da causa constitucionalista.
|||Seus companheiros de M.M.D.C estavam
presente,onde o Dr. Antonio Carlos Pacheco se fez
ouvir :"Fernão — Aqui estão os companheiros da
M.M.D.C para dizer-te o nosso adeus. Cumpriste
heroicamente o seu dever, foste um bravo e tombaste
como os velhos paulistas, fora das fronteiras do
nosso Estado.E não podia deixar de ser assim. Tinhas
o sangue, a figura mascula e varonil, o porte, a
coragem e até o nome do Caçador de Esmeraldas. Bem
merecias ser o primeiro nos nossos a se inscrever na
história gloriosa de São Paulo. A tua morte, longe
de abater o nosso espírito, desperta dentro de nós a
vontade indômita de vencer. E quem vencerá heróis
como tu, que morrem sorrindo na defesa de uma causa
sagrada?"
|||Em 28 de julho de 1932, quinta-feira, reportagem do jornal"
A Gazeta" informa que o Major
Ivo Borges assumiu o comando geral das forças
aéreas de São Paulo. O major
Lysias Rodrigues é o novo comandante do campo
de Marte. Dois grupos de aviação foram criados : um
foi confiado ao capitão
Ismael Guilherme e outro, ao tenente João
Gomes Júnior.
|||Pouco se fala dessa força aérea e sua atuação na Revolução
de 1932, mas os fatos dos primeiros dias foram
noticiados no dia e jornal acima mencionados. Os
majores-aviadores,
Ivo e Lysias, conseguiram burlar a
vigilância da polícia do ditador. Conseguiram sair
do Rio de Janeiro, rumo a São Paulo, porque
embarcaram justamente num ponto movimentado onde
eles (polícia) nunca pensariam que iriam
aparecer. Embarcaram em pleno dia, numa lancha, no
cais Faroux.
|||Desceram em Ubatuba e, a pé, atingiram as linhas das forças
constitucionalistas. Sofreram muito. Tiveram que
ficar no Quartel General a espera de vestimentas
pois estavam quase que sem elas. Após as ordens do
general
Klinger dirigiram-se ao Campo de Marte onde
tomaram posse: O Major
Ivo como comandante da força aérea e o major
Lysias, do Campo de Marte. O capitão-aviador
Ismael Guilherme, às 11 horas, com todos os
pilotos na sala do comando, comunica aos seus
comandados a nomeação do major
Lysias e exorta a todos a continuarem a
trabalhar por São Paulo e pelo Brasil.Em seguida,
com rápidas e enérgicas medidas, divide a
esquadrilha em duas partes: 1º. e 2º. Grupos. Confia
ao capitão
Ismael Guilherme o comando do 1º. Grupo e ao
"ás"
João Gomes Júnior, o 2º. No Sábado, 20
de agosto de 1932, o capitão
Adherbal desceu, ao meio dia, no campo de
Marte, aderindo à causa constitucionalista. Manchete
desse dia." O capitão
Adherbal, da esquadrilha do Campo dos
Afonsos, adere a nossa causa. Valioso, sob todos os
pontos de vista, o auxílio que veio trazer à nossa
aviação, o hábil piloto de caça. Era o avião de caça
integrando-se ás nossas esquadrilhas. O avião em que
ele veio é o melhor aparelho que a ditadura possui
no Campo dos Afonsos. É um" Newport-Delage" com
metralhadoras sincronizadas e de velocidade de 300
quilômetros horários. Esse avião ficava sempre em
prontidão no Campo dos Afonsos, sob o comando do
tenente
Mello, a fim de perseguir, em caso de evasão,
aviões da ditadura. Não esperavam que o capitão
Adherbal fugisse nele. |
|| |
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Foto. O capitão Adherbal de Oliveira e o
avião caça "Newport-Delage"
|
Fonte. Acervo Afrânio Franco de
Oliveira Mello |
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|||Vejo a Ode a Nove de
Julho, do poeta Paulo Bonfim, dividida em
três partes, sendo a primeira "Antemanha" "Clamai, é
cantos da noite! As baionetas caladas. Rasgam
neblinas de julho ................. " A Manhã",
Manhãs de julho botando. No sangue da mocidade!
Restias de luz transpassando . A alma clara das
águas ..........."O Túnel" . Túnel da vida e da
morte .... Os relógios silenciaram . E os ponteiros
são espadas . Mergulhadas no impossível ... "
Leio o poema " Ao Herói Desconhecido" de
Oliveira Ribeiro Neto." — Hás de voltar,
meu filho! E não voltaste. Pelo bem do país que
tanto amaste o teu corpo caiu, morreu teu passo. Da
tua mocidade generosa ficou somente a farda gloriosa
tinta de sangue. E o capacete de aço .......... "De
Rossini Camargo Guarnieri temos" São Paulo"
." Foi aqui, neste solo fecundo, que o primeiro dos
gritos soou:" Ou dareis liberdade a esta terra de
progresso, de força e labor, ou vereis nos perigos
da guerra este povo provar o seu valor! " Encontro,
nas reportagens relato de enviados especiais ao Rio
das Almas . Primeiras notícias de nossa região.
Reportagem de
Stopin e Waldemar Buhr." O vento causa
arrepios, sibila pelos galhos, faz voejar as folhas
secas espalhadas na estrada. E nosso carro rodando,
rodando.....
|||Chegamos em
Gramadinho. Precisamos visar, no Posto de Comando do
coronel
Milton, os documentos de livre trânsito nas
zonas de operação. Conversam com o coronel
Milton, com o Aristeu Seixas ( grande
artista, sutil burilador do" Pôr do Sol" ), com o
capitão
Paiva e com o famoso e valente capitão
Affonso Negrão, comandante do trem blindado, na
Zona Sul e, a partir daquele momento, passou a
dirigir as operações do auto-blindado. Narrando
fatos desse auto-blindado, o capitão
Affonso diz que, no dia 11 de setembro,
realizaram forte ofensiva junto ao rio das Almas.
Escoltado pelas tropas, o auto-blindado "14 de
julho" arrancou e, inesperadamente, surgiu ao lados
dos adversários. A esta aparição intempestiva,
precedida de fortíssimo ataque de fuzis e
metralhadoras, os inimigos, apavorados, debandaram,
pondo-se em retirada. Os jornalistas desejam visitar
as linhas avançadas. São apresentados ao major
Rodrigues que os leva até as trincheiras.
Junto à ponte que se debruça junto ao Rio das Almas,
o major Rodrigues adverte a todos que devem seguir a
pé, já que estavam de carro, pois poderiam ser
alvejados pelos inimigos. Enveredam-se por uma
picada, aberta recentemente, onde tropicam em galhos
retorcidos e em troncos mal cortados. Duzentos
metros dentro do mato, narram, que a solidão os
envolve, que os acoberta, que os agarra
impiedosamente, fazendo-os tremerem . Na clareira
espiam com receio, temendo que o inimigo ali esteja
de atalaia, pronto a atacar. Um pouco mais adiante,
chegam às trincheiras repletas de nossos soldados.
|||Ao
entardecer, tiros espoucam junto aos jornalistas. O
aspirante Salles esclarece que são tiros de
inquietação, pois é hora em que o inimigo se prepara
para jantar. |
||| |
 |
Foto. soldado Antenor de Oliveira Mello Júnior, aos 19
anos, ao final da Revolução de 32 |
Fonte. Acervo Afrânio Franco de
Oliveira Mello |
||| |
|||Meu pai, Antenor
de Oliveira Mello Júnior, sempre me contava que
tinha lutado nessa região e que a ele, juntamente
com seu colega
Tibagi, cabia patrulharem o mato, à noite,
indo até as linhas inimigas, verificar a
movimentação de suas tropas e, no retorno davam
conta ao Comandante da tropa do que tinham visto.
Mateiro de primeira linha, sempre o chamavam de
"Capitão", apelido dado a ele por seu professor
Hermelino Corrêa, "Seu Milico", cunhado
do professor Paiva Pereira de Itapetininga,
quando era seu aluno na cidade de Bofete. Talvez por
seu conhecimento de mato, posteriormente a mim
confirmado pelo
Waldomiro Benedito de Carvalho, o "Chuca",
que em caçadas nas matas de São Miguel Arcanjo,
dizia nunca ter visto alguém piar o" macuco" e andar
pelo mato como ele. Talvez por essa habilidade tenha
sido escolhido para essas missões. Contava-me
que,ele e o
Tibagi, haviam construído um abrigo, tipo
trincheira pequena, junto a uma das pontes sobre o
Rio das Almas. Fizeram o buraco, cortaram árvores grossas e finas,
construíram o abrigo. Desse abrigo saíam a pesquisar
a movimentação das tropas.
|||Quando estava
construindo minha casa, o pedreiro,
Firmino, oferece-me um fuzil que tinha sido
usado na Revolução de 32. Perguntei como tinha
conseguido tal arma, e ele contou que,quando
criança, brincava muito em um abrigo, junto a uma
ponte no rio das Almas e que passava perto do sítio
do seu pai. Criança, tinha visto muitos soldados
inimigos serem mortos pela metralha dos paulistas.
Conta que enterravam em cova rasa. Depois do término
da revolução, ele, seus irmãos e amigos, saiam pelo
campo, a procura de cápsulas das balas e em uma
dessas idas e vindas, tinha encontrado o fuzil.
Imediatamente levei-o para conversar com o meu pai
sobre esse abrigo. Papai deu detalhes do espaço e da
construção, confirmados pelo Firmino. Eu, só
escutando, enchi-me de orgulho.
|||Papai, ferido
em batalha, transferido para Itapetininga, medicado,
ao ir para casa, desmaia na rua Prudente de Moraes e
é socorrido pela mãe do
Humberto Franci, Sra. Iria Luchesi.
(Luchesi, Luchini, de Lucca, sobrenome dos
originários da região de Lucca-Itália).
|||Dessa época
tenho o capacete, uma arma branca, longa e
pontiaguda,alguns pentes de balas e duas fotos aqui
reproduzidas e, também, as medalhas recebidas, uma
por Honra ao Mérito, ferimento em batalha e outra
pela participação no Movimento. Os outros parentes
que lutaram na Revolução de 1932, foram o
Euvaldo de Oliveira Mello, que foi Secretário
da Educação do Governo do Estado de São Paulo,
gestão do Governador
Carvalho Pinto e, Alcínio Rocha, o
"Tio Lico", pai da minha prima, professora e
advogada Alcina Rocha Peres de Oliveira. |
||| |
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Foto. soldado Alcinio Rocha, o "Tio Lico", em 1932 |
Fonte. Acervo Afrânio Franco de
Oliveira Mello |
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|||Voltando às
pesquisas em jornais da época e de comemorações aos
25 anos da Revolução de 1932, encontro um chamamento
aos paulistas, no dia 11 de julho de 1932."
Procurando trabalhar pela organização dos
batalhões civis que deverão permanecer de
promptidão, aguardamos o momento de entrar na lucta
armada que se esboça, a Liga Paulista
Pró-Constituinte, pelo presente, concita a todos os
paulistas válidos, que verdadeiramente amam São
Paulo, a comparecerem no edifício da Faculdade de
Direito, onde receberão armas e serão devidamente
incorporados.
Ao mesmo tempo a Liga Paulista Pró-Constituinte,
órgão da mocidade bandeirante, lança um apelo
sincero e cheio de amor às mães paulistas para que
autorizem seus filhos a se empenharem na campanha
pela defesa da honra de São Paulo" Como ficavam
as mães da época? Com o coração na mão? Como é
difícil para pais e mães, em qualquer época, abrir
mão de seus filhos, mesmo às causas mais nobres!
Outra reportagem que fala da nossa região são as
narrativas do general
Basílio Taborda sobre a batalha da região de
Buri. "A defesa de
Itararé
se desmantelara e o general Klinger me havia nomeado
Comandante do Setor Sul. Estava em Santos quando
recebi a notícia. Até as 10 horas da noite organizei
o plano de defesa e parti para São Paulo. Às 2 horas
da madrugada de 21, um trem especial partia de São
Paulo para o Sul, levando um único passageiro, um
soldado que ia assumir o comando de uma tropa que
retirava em desordem,sem haver cumprido sua missão e
cujos dispositivos e paradeiros eram ignorados. Ás 8
horas, em Itapetininga, recebia informações mais ou
menos vagas e desalentadoras . O
8º Batalhão de Caçadores da
Força Pública, que fora o comandante
na defesa de Itararé, e mais um Batalhão patriótico,
já se achavam nas proximidades de Capão Bonito,e
alguns elementos em desordem haviam passado por
Itapetininga rumo a São Paulo. Esperava encontrar em
Itapetininga o general Klinger mas ele já havia
partido para São Paulo . Realizara-se ali um
encontro entre os coronéis Alfieri e Klinguelhoefer.|A
situação em Itararé estava feia. O inimigo atacava e
a defesa ruía. Os coronéis Klinguelhoefer e Salgado
dirigem as operações até a minha chegada (general
Brazilio Taborda). O tenente-coronel Alfieri é
enviado a Itararé na tentativa de aliviar o desastre
e dirigir as operações de guerra e chega a 19 em
Faxina onde se encontra acantonado o Destacamento
Morais Pinto, defensor de Itararé. Alfiere tenta
remediar a situação organizando a defesa em Faxina,
mas em seu retorno a Itapetininga verifica a
impossibilidade: a tropa já estava em retirada.
Determina o retraimento para Buri e que chegam até
perto de Capão Bonito. Esses soldados, depois da
mudança de comando, praticam façanhas heróicas,
verdadeiras páginas de ouro nos fastos da revolução
constitucionalista. Eram todos do batalhão 14 de
julho. |||Muitos
me ajudaram, entre eles, além dos companheiros de
comando, o Chefe do Setor de Engenharia, o Dr.
Antonio Carlos de Melo Cardoso, comissionado como
major. Era professor da Escola Politécnica. Contei
também com a colaboração magnífica do Dr. Francisco
Bernardes Júnior, ilustre advogado que viria a ser
mais tarde Desembargador e Presidente do Tribunal de
Justiça de São Paulo.Toda a defesa organizada, nas
regiões de Capão Bonito, Ribeira, Apiai e nos postos
avançados. O inimigo, às 8 horas, desencadeou a
ofensiva, fazendo o esforço principal na nossa
esquerda. O ataque era feito por um Regimento da
Brigada Militar do Rio Grande do Sul e a sua
cobertura por um Grupo de Artilharia de Campanha.
Entrei em ação com o trem blindado, comandado pelo
tenente Negrão, com a missão de metralhar de flanco
o atacante, principalmente os postos de comando que
pudesse divisar.O inimigo se infiltrou passando a
barreira e ameaçava atacar por traz das trincheiras.
O tenente Osman Mascarenhas ordenou a graduação zero
das espoletas de schrapnell e, em tiro direto, foi
ceifando a balas as vagas sucessivas que se
aventuram a esse assalto frontal às bocas de fogo.Os
que não foram mortos e passaram a barreira, foram
feitos prisioneiros. Essa região foi palco de
grandes lutas e atos heróicos, pesadas baixas foram
impostas ao inimigo".
|||O relato do
general
Brazilio Taborda
é extenso e carregado de emoção. Acima temmos uma
pequena parte dele. Ele encerra sua narrativa
pedindo a Deus que permita, que mais tarde, possa
narrar o que foi a luta heróica com que um pugilo de
poucos milhares de homens, desafetos à lide das
armas, pobres de armamento e de munição, superando o
fogo das armas com o fogo do ideal, barraram o
caminho a uma tropa regular,com boa parte aguerrida,
bem comandada, milionária em munição, em fuzis,
metralhadoras e canhões, que em mais de dois meses
de tenaz esforço não conseguiu avançar na
direção de São Paulo, mais de duas dezenas de
quilômetros.
|||Em 11 de
agosto de 1932 notícia de que "um bravo aviador
das forças constitucionalistas fez hontem á noite
demoradas evoluções sobre as linhas inimigas,
permanecendo durante longo tempo no espaço. O
valente piloto deixou cahir sobre os
entrincheiramentos adversários 6 bombas,tendo
regressado à sua base, perfeitamente. Noticias de
Lorena". Segunda reportagem desse dia:"Desfilarão
hoje em continência aos que tombaram na luta 144
unidades do movimento de 1932" Todas eles estão
relacionadas na reportagem.
|||Encontro
outra reportagem sobre as esquadrilhas da Força
Aérea paulista, fotos dos aviadores em trajes de
luta e os nomes dos principais ases da nossa Força,
tais como : major
Ismael Guilherme, os pilotos civis João
Boungartner
e Mourão, os" ases" da aviação
Ivo Borges, Lysias Rodrigues, Motta
Lima,
Adherbal de Oliveira, Orsini, e o
heróico José Angelo Ribeiro Gomes que, com o
civil Dr.
Mário Bittencourt, foi abatido ao largo de
Santos, quanto tentavam atacar a esquadra que
sitiava a barra,
Hugo Hoeltz, Pedrinho da Força e o
colega
Julio Costa. Eram a elite da Força. |
||| |
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Foto.
O avião "Waco", ao sair para uma missão. |
Fonte. Acervo Afrânio Franco de
Oliveira Mello |
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|||Interessante
reportagem sobre um dos mais famosos aparelhos de"
guerra" usados na Revolução de 32 — A
matraca. "O curioso engenho bélico
inventado e construído durante a revolução
constitucionalista de 32, denominado" matraca" vem
polarizando a atenção pública merecendo amplo
noticiário na imprensa". Na reportagem especial
de "A Gazeta" de 9 de julho de 1957, comemorando os
25 anos do movimento de 32, sobre a "matraca"
informa que apenas"6 aparelhos tidos como
originais podem ser vistos, dois com veteranos de
32, um pertencendo ao Museu Ipiranga, dois em poder
da Força Pública e o sexto no Instituto Histórico e
Geográfico de São Paulo. A invenção é do
piracicabano Dr. Otávio Teixeira Mendes, professor
da Escola Agrícola" Luíz de Queiroz". ilustre
cidadão, já falecido, que dignificou sua terra com
inexcedível exemplo de bravura e amor à causa
constitucionalista, à vista das dificuldades para
municiar as linhas de frente, concebeu uma caixa de
alta ressonância, imitando o matraquear das
metralhadoras, sendo possível seu emprego,
principalmente à noite, a fim de oferecer ao
adversário a idéia de uma potência de fogo muito
longe da realidade".
|||O coronel
Herculano de Carvalho e Silva escreveu o livro "A
Revolução Constitucionalista" e às
páginas 47,73 e 74, 230 e 231, e 233, fez
referências a" matraca" publicando a primeira
fotografia do aparelho com a legenda:"
A matraca, mais engenhosa que o célebre cavalo de
Tróia". |
|||Vejam a penúria,
nessa improvisação, na capacidade assombrosa de
produção. Na adaptação imediata à uma situação para
quase todos inesperada, no ardor vivido e sentido,
na integração imediata de um povo, aceitando
devotadamente, sem olhar a qualquer sacrifício, a
causa a que serviu com heroísmo, é que se encontram
os miraculosos elementos da epopéia ímpar na
História do Brasil. |
|||Na pesquisa
encontrei o Certificado que era entregue para quem
doasse ouro para o bem de São Paulo e os bônus
emitidos pelo "Thesouro" do Estado de São Paulo, em
diversas quantias, emitidos por Decreto nº. 5585 de
14 de julho de 1932. |
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Foto.
Certificado "OURO PARA O BEM DO BRASIL" |
Fonte. Acervo Afrânio Franco de
Oliveira Mello |
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Foto.
Dinheiro paulista na revolução de 32 |
Fonte. Acervo Afrânio Franco de
Oliveira Mello |
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|||Em
26 de setembro de 1932, tremenda perda para a
aviação constitucionalista. Reportagem dá conta da
morte no notável "Ás" capitão
José Angelo Gomes Ribeiro
e o ilustre observador Dr.Mário Bittencourt, que
foram abatidos sob o céu de Santos ."Teve por túmulo
o Oceano, o único digno da pureza de seus
princípios". "Morreu pela constituição.", "Morreu
como um gigante","o seu nome, glória da aviação
Nacional, será o lábaro que há de conduzir,
doravante, os nossos"azes" à conquista de novas
victórias". "Primeiro heroe da Aviação
Constitucionalista". Fotos dele e do Dr.
Bittencourt,
são mostradas na reportagem.| |
||O quarto caderno da edição comemorativa aos 25 anos do Movimento de
32, editado pelo Jornal "A Gazeta" traz as
reportagens dos últimos dias da Revolução.
|||A matéria começa com a foto do
general
Isidoro Dias Lopes
e a sua fala "Si as condições de paz impostas
pela Dictadura forem rigorosas, severas ou mesmo
cruéis para os revolucionários, aqui ficarei com os
paulistas para soffrer as mesmas conseqüências e
padecer os mesmos gloriosos castigos". Trecho de sua
carta do dia 1º. de outubro de 1932. Catorze fotos
mostram os capacetes de aço nas linhas da frente
Norte. A vitória de Porto Murtinho, a carta resposta
dos estudantes paulistas aos seus colegas gaúchos.
Extensa reportagem sobre a defesa do Túnel. "Grande
luta da do Túnel !". "Sua descrição minuciosa,
coordenada com o estudo da documentação do general
Christovão Barcellos, que nos enfrentava do lado de
lá, seria obra grandiosa, digna da epopéia de
bravura, fibra e inteligência de todos os que ali se
bateram pela grande causa de São Paulo." |
||| |
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Foto. Batalhão Redentor Filhos de Iguape defronte ao
Largo da Igreja Matriz de Iguape durante a revolução
de 1932 |
Fonte. Acervo Afrânio Franco de
Oliveira Mello |
|||| |
||||Gostaria de escrever muito mais ainda, pois é grande o número de
reportagens sobre o evento. Não falei sobre os
Bombeiros de São Paulo,
na defesa da retaguarda e na linha de frente; a
participação do clero, solidário com o povo em 1932;
a ação do
M.M.D.C
na revolução de 32; sobre o 7 de setembro no setor
do túnel; sobre a atuação dos médicos e dos
engenheiros; sobre os mortos de São Paulo; sobre as
declarações finais do General
Bertholdo Klinguer;
sobre Ibrahim
Nobre;
Monumento ao Soldado
Constitucionalista,
etc..
|||A mais triste das reportagens é a de 2 de outubro de 1932. As
manchetes noticiam "Os últimos momentos do
Governador Pedro de Toledo nos Campos Eliseos.",
"São Paulo não foi derrotada", "O que o Exército não
quis aceitar". A "Convenção Militar" firmada pelo
comando da Força Pública", "A deposição do Governo
Constitucionalista", "Maior ainda no instante da
derrota" e "A um raio de sol poente". |
|||Sabíamos todos que a situação estava perdida. Os acontecimentos
vinham se precipitando,
sem controle possível,
num torvelinho de
apreensões para a alma
paulista; papéis,
arquivos, centenas de
contas de réis em bônus,
foram todos queimados
para não caírem nas mãos
da ditadura.
|||Veio a ditadura, com o protocolo de Cruzeiro que não foi aceito pelo
comando paulista do
movimento
constitucionalista,
porque achavam
humilhantes as condições
impostas pelo general
Pedro Aurélio de Góis
Monteiro.
Protocolo, com 10
cláusulas e inúmeras
alíneas que as partes se
obrigariam a cumprir. |
|||Eis algumas delas: |
|| |
|||▪ O não cumprimento em oito dias, fará com que as hostilidades
sejam reabertas pela ditadura ........ |
|||▪ Suspensão de todas as hostilidades em todo território paulista e
matogrossensse ....... |
|||▪ Evacuação por jornada de etapas, transportes ferroviários e de
automóveis, evacuação de todo litoral paulista com o
fechamento dos portos, evacuação da linha sul,
evacuação de todo território matogrossense,
evacuação dos portos sobre os rios Paraná e
Paraguai........ |
|||▪ A não destruição das zonas de evacuação ......,não obrigar a
população a acompanhar a evacuação..... |
|||▪ A restituição de todo armamento (canhões, armas automáticas, fuzis e
petrechos pertencentes à União ....... |
|||▪
Todas as armas automáticas pertencentes a força Pública, à entrega de
70% do material rodante nas estradas de ferro....,
20% de todos automóveis requisitados pelo movimento
paulista....., |
|||▪
A entrega das estações de rádio-tansmissão, dos telefones
clandestinos..... |
|||▪
A restituição do material apreendido na Fábrica de Piquete .... |
|||▪
A entrega das embarcações e a liberação do porto de Santos.... |
|||▪
A liberdade de todos aqueles presos por se negarem a lutar ao lado
dos paulistas.... |
licenciamento das praças das antigas unidades da 2ª. Região
Militar..... |
|||▪
A apresentação dos oficiais que tenham participado do movimento — os
quais ficarão presos nos locais que o governo da
União designar..... |
limitar as proporções mais reduzidas a apuração das
responsabilidades pelos acontecimentos ocorridos em São
Paulo...., |
|||▪
A troca de informações sobre prisioneiros, quartéis, destacamentos
.... |
|||E a cláusula X,
final da Convenção que trata: "A presente Convenção
não implica em compromisso algum de caráter
político, qualquer responsabilidade do Governo
Federal pelos prejuízos materiais decorrentes do
movimento revolucionário de 9 de julho (pois ele é
estritamente militar)para qualquer das partes, que
se obrigam a aplicar sanção a seus comandados que,
voluntária ou involuntariamente, atentarem contra o
estipulado na presente na presente Convenção,
enquanto ela vigorar. |
||| |
|||Pois
bem, às 15h30 horas, chegaram aos Campos Elísios o
tenente-coronel
Eduardo Lejeune,
o Major
Mário Rangel
e o capitão
Francisco da Cruz,
todos da Força Pública. Recebidos pelo Governador
Pedro de Toledo,
que estava despachando com o Secretário da Justiça,
Sr.
Waldemar Ferreira
e os comunicaram que
o Coronel
Herculano de
Carvalho e Silva
tinha sido nomeado governador militar de São Paulo,
pelo general
Góis Monteiro,
que lhe delegara poderes para depor o Governo
Constitucionalista. Intimaram-no ainda a
considerar-se preso sob palavra e às ordens do
governo federal.
|||Continuando
a narrativa, o repórter
J.B Silveira Peixoto
informa que “o governador
Pedro de Toledo,
com a serenidade enérgica que nunca o abandonou,
redarguiu: — “Eu já o previa. Podem retirar-se".
O governador, com o semblante abatido pelas
vicissitudes daqueles dias sombrios, não escondia o
sofrimento que lhe ia em todo o seu ser. Estava
tristonho, sim, porém altivo e sereno. No silêncio
do "hall" ecoavam seus passos abafados pela
tapeçaria. Ia e vinha,lentamente, a cabeça
alevantada.Não teve uma queixa, não disse uma
blasfêmia. A um dado instante parou e disse: “São
Paulo não foi derrotado! Fomos traídos e vencidos no
campo das armas! Os ideais que nos levaram à luta,
porém esses, tenha certeza, serão vitoriosos“. E
o foram. |
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Foto. (da esquerda para a direita) soldado
Antenor de Oliveira Mello Júnior, sargento
Chico, o soldado "Marmita" e o soldado
Mazalai, do Corpo de Enfermagem. |
Fonte. Acervo Afrânio Franco de
Oliveira Mello |
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|||Eu
aqui, triste, chorando, emocionado pela leitura
dessas reportagens, queria mesmo era escrever sobre
a participação de itapetininganos no
movimento, queria escrever sobre a
Santa Casa,
as escolas na Avenida
Peixoto Gomide,
o
Instituto Imaculada Conceição,
o prédio da
Loja Maçônica Firmeza,
entre outros; todos transformados em hospitais, como
se aqui fosse um grande hospital regional; queria
poder conversar muito mais com meu pai, com o
Péco Leonel,
com o dentista
Francisco Fabiano Alves
e com outros tantos partícipes desse movimento, para
poder narrar a todos os seus sentimentos, as lutas,
as tristezas de cada um deles nesse período.
Perdi a hora, perdi o momento, não me dei conta que
o tempo ia passar, assim, tão depressa e a ausência
seria, também, muito mais triste e sentida. |
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Afrânio Franco de Oliveira Mello |
Agosto de 2011 |
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Portal @ Paulistas de
Itapetininga
PRO BRASILIA FIANT EXIMIA
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